quarta-feira, 2 de abril de 2008

O Trident entrou em mim. Filhos da puta. Sabem me ler, sabem me ler direitinho. They got me pegged. Eu queria fazer publicidade quando era mais nova, mas a minha moral cristã me impediu. "Sei lá, acho que daqui a uns dez anos eu vou me sentir mal em ganhar a vida convencendo os outros de que só vão ser felizes com tal xampu". Adorava repetir isso. Mas como é sedutor: trocadilhos do Hortifruti, logomarca da Unilever no canto direito da tela, transformar qualquer coisa em portador de apelo sexual, cotonete sexy, creme sexy, sangue menstrual azul, enfim. Tudo bacana. E agora o Trident me venceu. No meu estômago, em cheio, foi um fuzil. A mulher deu um tapa na bunda na frente dos pais embasbacados e eu fui correndo comprar um Trident. Ok, não exatamente correndo, mas no dia seguinte, antes de comprar água de côco (que é hidratante e bom para a pele) a caminho da aula. Comprei, comprei. Eles mandaram, eu fui e comprei. Me livrei do blá blá blá. Satisfeitos? Me têm na mão agora, seus malditos gênios, senhores do tempo e da minha conta do Bradesco. Que fizeram de mim: agora eu sou um retalho de individualidade libertadora a base de TRIDENT! TRIDENT É ALEGRIA!!!!

Como soou desesperada essa minha verborragia. Lendo isso alguém pode crer que sou um turbilhão de conflito interno, quando na verdade meu conflito interno é tipo assim, em nível subatômico; dando uma afastada o sistema continua em perfeita ordem em sua totalidade, sacou? O Trident não impede - e talve até contribua com - a minha felicidade.

Se alguém for agora na esquina comprar Trident, não me responsabilizo. Eu hein, vai tomar no cú, a vida é sua e não minha.

1 comentário:

Barbara Coimbra disse...

gostei da coisa do nível subatomico, tive uma boa visualização...