O que que eu tô fazendo aqui? Tô na maré. Minha perna com hematoma -pulo muito em casa, caí no chão rolando, me fudi toda, chorei de dor, temi ser grave mas foi uma emoção- aperto, ai, adoro dor de hematoma, e eu de bota, poça de chuva na rua, um monte de escada, tudo no Rio tem escada, essa pré-adolescência revolt que eu já enterrei, eu tô rebolando demais, eu tô bêbada. Tropeço na escada, caio de joelho, mulher adora ficar de joelho, mas não teve reza não, foi só tropeço. Levanto, vou pegar outra cerveja, converso com a beesha da fila: ele vai ser escritor e vai me chamar pra sua noite de autógrafos: Qual seu nome? Sérgio. E você? Rachel, prazer.
Não tem ônibus, tomo táxi, detesto ter que gastar dinheiro em táxi, faço pipoca matinal, durmo, protelo, protelo, protelo terminar essa porra desse trabalho, não suporto mais minha faculdade.
O que que tô fazendo aqui? Só na maré. Eu Não consigo parar de apertar esse hematoma. Eu sou viva, minha carne é viva, capaz de produzir hemorragia interna, rapá. Viva e jovem, graças a Deus. É bom agradecer agora enquanto é tempo.
Não saiam de bota se estiverem com pé fudido.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário